Wendel Bezerra fala sobre DBKai

Confiram a entrevista com Wendel Bezerra (de 31/03/11), feita por Renan Frade, do Judão , que relata as dublagens de DBKai:

Wendel fala também do andamento da dublagem do remake de DBZ em HD, Dragon Ball Z Kai, e explica os motivos que levaram muitos dubladores a não retornarem para seus personagens clássicos

Hora de entrar mais na polêmica… Muito se falou sobre a mudança do estúdio de dublagem de Dragon Ball no remake da faze Z, chamada Kai, culminando com a ida da série para ser dublada na BKS e a saída de vários atores, que não concordaram com a mudança. O que aconteceu?

Wendel Bezerra ~ Existem vários estúdios em São Paulo. Então é comum que o produto migre para outros estúdios, por vários motivos. É normal. O que acontece é que o dublador é um ator. Então, para você realizar seu trabalho artístico, você tem que estar bem, tem que estar à vontade, feliz. Existem estúdios que tem um clima mais propicio ao trabalho artístico, e outros que não. Isso varia muito de estúdio para estúdio ou até mesmo de pessoa para pessoa. Tem lugares que eu não gosto de trabalho e é assim para vários dubladores.

No caso de Dragon Ball Kai, aconteceu de que havia grande parte do elenco que não se sente bem para trabalhar com a BKS, mas cada um por seu motivo específico. Uns por questão de energia, outros de distância, motivo pessoal, discordância artística na conduta política da casa. Cada um tem o seu motivo. Mas o fato é que aconteceu com vários dubladores.

Alguns, mesmo contrariados, decidiram ir. Outros decidiram não ir. Eu até, a princípio, não iria, mas, poutz, eu adoro o personagem, adoro a série. Por conta do Twitter muita gente me pedia numa boa, outros me xingavam [risos]. Eu demorei para pensar, mesmo. Foi difícil, não foi fácil. Consegui, conversando com eles, expor o que não me agradava, o porquê de não querer ir lá, e entramos em um acordo. Eles tentaram e estão tentando fazer me sentir o mais confortável possível para fazer o trabalho e está rolando.

Cada um [dos outros atores] teve o seu motivo [para não voltar]. Eu só tenho a lamentar. Gostava bastante da série e das vozes, então toda vez que vou dublar e surge um personagem, eu pergunto quem está fazendo. Quando é o mesmo, eu acho legal. Quando é outro, independente de quem seja, se é melhor ou não, eu lamento um pouco, pois ficamos com aquela nostalgia das vozes ‘originais’.

Como está o andamento da dublagem? Já acabaram?

Wendel ~ Ainda não. Eu acho que estamos por volta do capítulo 60 ou 70, eu realmente não lembro [de acordo com a BKS, foi até o episódio 54], mas faz um mês que não dublo nada, então realmente não lembro. Tá mais ou menos por aí. Parece que não 100, não é? [na realidade, são 97].

Não tem a fase do Boo. Pelo menos não há sinal de que vão produzir…

Wendel ~ Eu fiquei sabendo. Lamento, eu gostava, achava engraçado.

O que você pode comentar da dublagem do Goku? Afinal, se passaram dez anos entre a dublagem de DBZ e da nova série.

Wendel ~ Poutz… A série chegou naquela época, não sabia nada de desenho japonês, Dragon Ball… Comecei a fazer, fui gostando e gostei, achei o maior barato, veio contato com os fãs… Agora me surge Dragon Ball Kai, pensei em não fazer e eu falei ‘poutz, vou abrir mão do personagem que eu gosto?’. Resolvi fazer. Quando cheguei lá [pra dublar], deu um frio na barriga. Na primeira vez que fiz, era mais um personagem. Hoje não é mais. É o Goku, que eu conheço, já tive uma história com o personagem, devo muito na minha carreira à ele. Tinha todo um peso ali. Tinha que fazer tão bem, ou melhor, do que fiz dez anos atrás.

Tem a questão da voz, já que minha voz envelheceu nestes anos. Estou tentando deixar ela mais na cabeça, mas agudinha, já que minha voz está mais velha. São coisas que, quando vou fazer, pesam. E, sei lá, estou curtindo mais, parece. Eu já sei de tudo. Eu tenho uma história com o personagem, com a série, que foi, em grande parte, de momentos felizes. Estou me divertindo mais, me dedicando mais. Espero que gostem.

Em tese, eu acho que hoje sou um dublador melhor do que era. Espero que saia legal.

Dragon Ball Z, a original, chegou a ser redublado?

Wendel ~ Não, nunca foi. É a primeira vez que redublo uma série grande assim, com bastante coisa. Mas eu dirigi, junto com o Wellington Lima [o Majin Buu de DBZ], a redublagem de Cavaleiros do Zodíaco, porque a Manchete perdeu tudo.

A dublagem original de Cavaleiros tinha alguns problemas, por ter vindo da versão mexicana. Depois, na redublagem, veio a partir da japonesa…

Wendel ~ Isso. Dragon Ball Kai está indo no mesmo caminho. O original que nós ouvimos [no momento da dublagem] é em inglês, mas a tradução é feita do mangá, talvez esteja um pouco mais fiel.

A versão em inglês não tem diferença para a japonesa…?

Wendel ~ A fase Z nós dublamos com a versão mexicana também. Inglês em nunca tinha ouvido. Só em espanhol e alguns especiais eu ouvi em japonês.

Dragon Ball Kai tem algumas diferenças nos EUA, e teve uma mudança na questão da trilha…

Wendel ~ Eu vi alguém comentando isso no Twitter, mas eu não sei…

Para encerrar, tem muita gente que se interessa em ser um dublador. O que precisa para entrar nesse mercado?

Wendel ~ Quem é maior de idade precisa de um registro profissional de ator, que é tirado com um curso de teatro. Outro dia alguém me perguntou sobre isso no Twitter, querendo ser dublador sem ser ator. Eu respondi que é o mesmo que ser cirurgião plástico sem ser formado em Medicina. Quando você vai para um curso de dublagem, você descobre que precisa ser ator, ter conhecimento técnico de interpretação, de voz. É fundamental. Hoje em dia, muitas crianças e adolescentes dublam. Para estes não precisa. Depois que fazem 18 anos, eles vão atrás do DRT [que é o registro profissional no Teatro].

É fundamental hoje, pelo volume de estúdios e pelo ritmo de trabalho, que a pessoa chegue com o curso de dublagem. Antigamente se aprendia nos estúdios, mas hoje não dá. Tem que chegar com o mínimo de preparação. No Rio há alguns cursos de dublagem, em São Paulo também tem. Quem for interessado tem que pesquisar o histórico dos professores, porque existem alguns cursos que são “pegadinha do Mallando”, arapucas. Eu também tenho um curso, que é a Universidade de Dublagem, que as pessoas podem entrar em contato. Às vezes até indicamos outros cursos, dependendo do que a pessoa quer.

 

 

Para conferir a matéria na íntegra, clique aqui

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